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Sobre a foto: vista das Agulhas Negras, em Itatiaia (RJ – Brasil) – jardim de casa. Meu avô uma vez me disse que quando morresse gostaria que suas cinzas fossem jogadas lá de cima. Eu brinquei: “Caramba, vô! Mas nem quando morrer vai parar de dar trabalho?”. Se a gente está falando de efemeridade e tudo que se escreve é prova, eu entendo e apoio. Não gosto da ideia de ter meu corpo em uma cova. Gosto da ideia de ser espalhada pelo vento como uma metáfora do que tento fazer com a minha vida: por onde eu passar, que eu possa deixar um pouco e receber um outro tanto.

Quanto mais eu vivo, mais eu percebo o quão efêmera é a vida. É incrível esse mistério de “existir”. Um dia você existe e no outro já não está mais aqui. Ou ainda, um dia você não existe e, de repente, vem ao mundo.

Completei 27 anos no dia 27 de agosto. Me disseram que esse seria meu “golden birthday”. Acordei por volta de 9h e olhei no espelho. Eu não estava cintilando como imaginava, rs.

Vocês já pararam para pensar que quanto mais um ano menos um ano na contagem da sua vida? Longe de mim ser a pessoa do “copo meio vazio”, mas talvez esse tipo de pensamento nos guie de maneira positiva.

E se você morresse hoje? Iria de peito aberto ou voltaria como alma penada por causa assuntos mal resolvidos?

Já mais perto do 30 eu experimento alguns questionamentos. É bem “white people problems”, mas começo a me perguntar “e aí, Edurne?”. Sem resposta. É que quanto mais eu vivo, menos eu sei.

Quanto mais eu vivo, mais eu contemplo a insignificância da minha vida significante. Eu não passo despercebida, eu sei. Ninguém passa. Mas para ser notado você tem que passar e passar implica em ir do ponto A para o ponto B.

Já dizia Horácio (65 a.C.-8 a.C.): “…carpe diem, quam minimum credula postero” ou “…colha o dia de hoje e confie o mínimo possível no amanhã”.

Quanto mais eu vivo, mais eu vejo que pessoas morrem, pessoas nascem, planos não dão certo, “acasos” são maravilhosos, dinheiro acaba, mas outro tanto por vezes vem, doenças novas surgem e outras tantas são curadas. Pessoas discutem e ficam mais radicais. Mas o amor… ah o amor!

Dói, claro, porque amor é entrega. Mas é a única coisa que eu tenho certeza. Um dia sem amar é um dia desperdiçado. Eu não tenho medo de me doar. Aliás, tenho sim. Não é fácil. Mas eu acho que tenho mais medo de ir embora sabendo que guardei dentro de mim o que me foi dado para dar aos outros.

Reflexões…

Com amor,

Edurne.

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